G I A M O R I M | F O T O G R A F I A A F E T I V A

Acho que a fotografia me escolheu

Sou a Giselle, mas pode me chamar de Gi.

Quando eu era criança, brincava que meus olhos eram uma câmera. Eu piscava e imaginava que conseguia guardar aquela cena pra sempre.

Na época eu nem poderia imaginar, mas talvez a fotografia já estivesse me escolhendo ali.

Anos depois, em 2012, ela se tornou profissão. E de algum jeito, continuo fazendo o que aquela menina já tentava fazer sem nem perceber: guardar o que não queria que o tempo levasse.

Anos depois, eu descobriria o quanto isso significava.

A fotografia já fazia parte da minha vida e do meu trabalho quando, por um período, eu me afastei dela.

Vieram momentos difíceis e, entre eles, a perda da minha mãe. E foi justamente quando eu mais senti a ausência que percebi o tamanho daquilo que uma fotografia consegue guardar.

As fotos que ficaram não mudam o que aconteceu, mas me permitem voltar a detalhes que talvez a memória, sozinha, não conseguisse preservar pra sempre.

Foi aí que a minha forma de fotografar também mudou.

Passei a olhar com ainda mais cuidado para aquilo que parece pequeno enquanto está acontecendo: um abraço, um olhar, um gesto, o jeito de alguém sorrir.

Porque hoje eu sei o valor que essas pequenas coisas podem ter quando se tornam lembrança.

E a vida continua mudando por aqui...

Hoje, além de fotógrafa, vivo um dos capítulos mais especiais da minha história: a espera pela Cecília.

É curioso viver a maternidade depois de tantos anos fotografando gestantes, bebês, crianças e famílias. Durante muito tempo, acompanhei de perto histórias que não eram minhas. Agora, algumas das emoções que tantas vezes registrei do outro lado da câmera começam a fazer parte da minha vida também.

Talvez eu ainda nem saiba o quanto isso vai transformar o meu olhar como mulher e como fotógrafa. Mas já existe algo diferente.

Tenho pensado ainda mais sobre o tempo, sobre família e sobre a importância de guardar a vida enquanto ela acontece.

E, no meio de tudo isso, continuo sendo a Gi: apaixonada por arte, pelas coisas feitas à mão, pelos detalhes, pelas pessoas e pelas histórias que elas carregam.

Acho que a fotografia me escolheu. E, tantos anos depois, continuo escolhendo ficar.

GI AMORIM FOTOGRAFA

Fotografia afetiva • Guarulhos/SP

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